TEMPESTITOS COM INFLUÊNCIA GLACIAL DA FORMAÇÃO PLAYA HERMOSA (NEOPROTEROZÓICO), PIRIÁPOLIS, URUGUAI

GELSON LUÍS FAMBRINI, RENATO PAES DE ALMEIDA, CLÁUDIO RICCOMINI, ANTÔNIO ROMALINO S. FRAGOSO-CESAR

Resumo


Depósitos glaciogênicos afetados por ondas de tempestade (tempestitos) de idade provável neoproterozóica ocorrem na região de Piriápolis, no extremo sul do Uruguai. Estes depósitos fazem parte da Formação Playa Hermosa que aflora ao longo da orla das praias Grande e Hermosa na referida cidade. As rochas desta unidade incluem ciclos granodecrescentes formados, da base para o topo, por: (i) sucessões decimétricas de conglomerados com grânulos e seixos, esporadicamente até calhaus, e arenitos conglomeráticos com evidências de processos de chuva de detritos a partir de blocos flutuantes de gelo (rain-out) que passam para (ii) sucessões centimétricas de arenitos finos a muito finos laminados e com marcas onduladas, bem selecionados, com níveis deformados, portando clasto isolado de tamanho anômalo (outsized-clast), de 71 cm de eixo maior, que deforma as camadas subjacentes, e ritmitos heterolíticos que culminam com (iii) sucessões centimétricas de arenitos finos, bem selecionados, com estratificações cruzadas tipo swaley e hummocky interpretados como depósitos de tempestitos que são, por sua vez, recobertos na porção superior da exposição por (iv) ritmitos laminados afetados por intrusões (traquitos, sienitos e riolitos) pertencentes à Suíte Sierra de Animas (570-550 Ma). As principais evidências que permitiram inferir ambiente glaciogênico para esses depósitos são: (i) a presença de clasto isolado em meio a sedimentos finos constituindo um clasto caído (dropstone) indicando paradoxo hidrodinâmico, (ii) evidências de aporte de material areno-rudáceo por chuva de detritos a partir de blocos de gelo flutuantes e (iii) dados paleomagnéticos (de acordo com a bibliografia especializada) que indicam uma posição paleogeográfica para o Cráton Rio de La Plata e regiões vizinhas em latitudes baixas e intermediárias e, por conseqüência, próximo ao pólo terrestre no Neoproterozóico. O clasto isolado foi interpretado como clasto caído devido às suas características intrínsecas (e.g. tamanho anômalo, paradoxo hidrodinâmico) e também pelo fato de que outras formas de transporte da clastos são aqui descartadas (e.g. transporte orgânico).

Palavras-chave


Glaciação; Tempestitos; Turbiditos; Análise de fácies; Formação Playa Hermosa; Neoproterozóico; Uruguai.

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.