INTERPRETAÇÕES PALEOCLIMÁTICAS A PARTIR DA TAFOFLORA DE CAIEIRA, FORMAÇÃO PIRABAS, OLIGOCENO/MIOCENO DA AMAZÔNIA ORIENTAL, PARÁ, BRASIL

FRANCISCO SANTIAGO, FRESIA RICARDI-BRANCO

Resumo


A tafoflora de Caieira, a qual se encontra associada à Formação Pirabas, é a mais bem documentada para o Oligoceno/Mioceno da Amazônia oriental. Esta tafoflora é considerada um predecessor de uma fitofisionomia da Floresta Amazônica, especificamente de uma floresta de planície inundável, o qual se desenvolveu sob um clima quente e úmido. As principais características fisionômicas, tipo de margem e área foliar, das folhas de angiospermas de 19 espécies desta tafoflora, permitiram reconstruir a temperatura média anual (TMA) e a precipitação média anual (PMA) para o momento de sua deposição. As diferentes equações utilizadas para reconstruir a TMA e a PMA estão baseadas nos métodos univariados conhecidos como Análise da Margem Foliar e Análise da Área Foliar. Estas equações indicaram que a tafoflora de Caieira se desenvolveu sob uma TMA de 24,6 a 25,0°C e uma PMA de 1849 a 2423 mm. Estes valores, se assemelham aos que apresenta hoje a região onde esta tafoflora foi coletada, portanto, é possível inferir que a atual configuração climática tem estado firmemente estabelecida desde o Oligoceno/Mioceno, assim como sua vegetação. Estes valores também indicam que para o momento de deposição da tafoflora de Caieira o clima era mais frio, em 1,1 a 1,5 °C, e menos úmido, em 42 a 619 mm, possivelmente devido ao evento de arrefecimento global conhecido como glaciação Mi-1, o qual afetou de maneira geral toda a Amazônia durante a transição Oligoceno/Mioceno.


Palavras-chave


Oligoceno/Mioceno; Amazônia oriental; Clima quente e úmido; Análise da Margem Foliar; Análise da Área Foliar; Glaciação Mi-1.

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DOI: http://dx.doi.org/10.4072/rbp.2018.3.07

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