A LATE PLEISTOCENE FOSSIL STORK (CICONIIFORMES: CICONIIDAE) FROM THE SANTA VITÓRIA FORMATION, SOUTHERN BRAZIL AND ITS PALEOENVIRONMENTAL SIGNIFICANCE

RENATO PEREIRA LOPES, JAMIL CORRÊA PEREIRA, JORGE FERIGOLO

Resumo


O registro fóssil de aves do sul do Brasil é escasso e consiste de poucos elementos isolados. Aqui é descrito um fóssil de ciconídeo na assembleia de restos de mamíferos da Formação Santa Vitória. O espécime consiste de uma vértebra cervical morfologicamente similar a Ciconia maguari (joão-grande), comum atualmente no sul do Brasil. Entretanto, suas dimensões maiores sugerem que poderia ser um morfotipo daquela espécie ou outra espécie extinta. As modificações tafonômicas na vértebra resultam da combinação de fatores autogênicos e alogênicos incluindo o hábito aquático, forma e transporte por água corrente e soterramento em um riacho raso. O sedimento fossilífero datado por luminescência foi depositado no Neopleistoceno, há 37,9 ka, e exibe características que indicam deposição sob descarga variável e oscilações sazonais do lençol freático. A presença de uma ave aquática em sedimentos depositados por água indica um período de precipitação elevada, cronocorrelacionado a um dos pulsos quentes em escala milenial registrados em testemunhos de gelo da Antártica (Máximos Isotópicos Antárticos) que caracterizaram o interestadial MIS 3. Por outro lado, o clima frio e seco do glacial seguinte MIS 2 pode ter forçado os ciconídeos e mamíferos aquáticos a se retirarem para áreas adequadas (refúgios), como sugere sua ausência nos depósitos de loess (Formação Cordão) acima da FSV, até retornar durante o Holoceno, quando o clima se tornou úmido e quente novamente. Os resultados apresentados aqui ampliam o registro fóssil de aves do sul do Brasil e ajudam a compreender o papel das mudanças climáticas na distribuição de aves ciconídeas e outros táxons durante o Quaternário no sul da América do Sul.


Palavras-chave


Ciconiidae; Formação Santa Vitória; Tafonomia; MIS 3; Paleoambiente; Paleoclima.

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DOI: http://dx.doi.org/10.4072/rbp.2019.3.03

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