Fortaleza de Santa Cruz: patrimônio histórico e geológico de Niterói, RJ

Soraya Almeida, Camila Mansur de Almeida

Resumo


Primeira fortaleza erguida na entrada da Baía da Guanabara, tombada pelo IPHAN em 1939 e ocupando uma área de mais de sete mil metros quadrados, a Fortaleza de Santa Cruz destaca-se entre as inúmeras obras históricas nas quais o gnaisse facoidal foi utilizado como matéria prima. Suas construções compreendem três períodos arquitetônicos principais, relacionados ao início do século 17 e aos séculos 18 e 19 e têm esta rocha como principal componente, sob a forma de peças talhadas em lajes, blocos e arcos. O rochedo no qual se assenta a Fortaleza e cuja forma de laje resulta de uma foliação subhorizontal é, da mesma forma, constituído por gnaisse facoidal. Apesar da clara correlação entre as rochas aflorantes e aquelas expostas ostensivamente nas obras da fortaleza, era comum, até a década de 1990, atribuir-se uma origem europeia às peças talhadas utilizadas nas suas edificações. Esta mística, propalada, tanto em visitas guiadas, como pela imprensa jornalística da época, ainda persiste no relato popular, resultando em perda de identidade histórica. Desta forma, a Fortaleza de Santa Cruz, com suas cantarias sobrepostas ao longo de mais de três séculos e cujas características naturais podem ser observadas no afloramento rochoso in situ, deve ser considerada não apenas patrimônio histórico, mas, também, um patrimônio geológico que permite aos seus visitantes avaliar a importância da indústria de extração do gnaisse no desenvolvimento de Niterói. Este trabalho tem como objetivo apresentar um panorama das características gerais relacionadas ao gnaisse facoidal aflorantes no local e das rochas expostas sob a forma de cantarias na Fortaleza de Santa Cruz.

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DOI: http://dx.doi.org/10.11137/2012_1_222_235

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