O PREENCHIMENTO DO RIFT-VALLEY NA BACIA DO RECÔNCAVO

ANTONIO SÉRGIO TEIXEIRA NETTO, JESUS JERÔNIMO DE OLIVEIRA

Resumo


A reconstituição paleogeográfica da América do Sul no Jurássico Superior configura a existência, na altura do atual paralelo de Salvador, de uma grande bacia denominada de Depressão Afro-Brasileira. Durante o Cretáceo Inferior esta bacia experimentou alguns estágios de convulsão distensional, diferenciando um aulacógeno orientado SE-NW, cuja parte sul constitui a atual Bacia do Recôncavo. Durante o Andar Rio da Serra o aulacógeno passou por uma fase de subsidência acentuada,  desenvolvendo a fisiografia de um lago alongado. O preenchimento deste lago se inicia com uma seqüêncía de uplap formalmente reconhecida como os membros Gomo e Maracangalha da Formação Candeias, seqüência esta que comporta leques de turbiditos nos quais se estima um potencial geológico da ordem de 700 milhões de barris de petróleo. Quando o lago se tornou raso, ao final do Andar Rio da Serra , a sedimentação em uplap cedeu lugar a um padrão progradante, evidenciado pelo comportamento dos refletores sísmicos representativos dos sedimentos deltáicos da Formação Pojuca. As jazidas de petróleo contidas na seqüência progradante têm controle estrutural, são associadas a falhas de crescimento e diapirismo, e contam com um volume provado de aproximadamente 1,3 bilhão de barris de petróleo. Durante o Andar Aratu, no sudoeste da Bacia do Recôncavo, ocorre a implantação de um canyon alongado; com comprimento mapeado de 60km, largura variável, abrindo para o sul onde é hoje a Baía de Todos os Santos. A base erosional deste canyon é bem evidenciada com sísmica de reflexão, e seu preenchimento deu-se com os sedimentos finos da Formação Taquipe, aqui formalizada. A Formação Taquipe é constituída por folhelho cinza, com estratificação paralela, localmente piritoso, contendo níveis de marga castanha, mole. Subordinadamente ocorrem lentes de arenito muito fino, rico em carapaças de ostracodes e com estratificação horizontal. Propõe se como seção-tipo o intervalo 565-915 m no poço 1-TQ-1-BA (Taquipe). Como seção de referência oferecem-se os afloramentos entre o km 53,5 e o km 56,0 da BR-324. Ao final do Andar Aratu iniciou-se uma compartimentação estrutural da Bacia do Recôncavo que, ao nível do conhecimento atual, está dividida em três sub-bacias separadas por duas falhas transcorrentes bem evidenciadas. O deslocamento horizontal das transcorrêncías atingiu seu máximo durante o Andar Buracica, quando a sub-bacia central, deslocada para sudeste, promoveu por "efeito de gaveta" a implantação do Baixo de Alagoinhas, preenchido por espessa seção de sedimentos do Grupo Massacará. A Formação São Sebastião, tida como o fácies fluvial do Grupo Massacará, progradando, vem a se constituir no aterro que colmatou o rift-valley do Recôncavo.


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