Proveniência de arenitos da Formação Cerro da Angélica (Grupo Bom Jardim, Ediacarano do RS) na porção sul da sub-bacia Camaquã central e suas implicações tectônicas

Alexsandra Costa de Freitas Leitão, Liliane Janikian, Renato Paes de Almeida, Antonio Romalino Santos Fragoso-Cesar, Felipe Torres Figueiredo

Resumo


O presente trabalho apresenta um estudo da proveniência de arenitos da porção inferior da Formação Cerro da Angélica (~605 Ma), unidade basal do Grupo Bom Jardim da Bacia Camaquã, aflorantes na região da Casa de Pedra, município de Bagé, RS, integrando análise de fácies e suas associações, a levantamentos estratigráficos de detalhe, com o objetivo de obter elementos adicionais para a compreensão do contexto tectônico e do caráter das falhas de borda da bacia durante a sedimentação da unidade. Foram diagnosticadas quatro associações de fácies em duas seções colunares: (i) depósitos distais de leques aluviais, (ii) depósitos de rios efêmeros (iii) depósitos proximais de leques aluviais, (iv) depósitos de campo de dunas eólicas e interdunas. A análise de proveniência microscópica revelou variações temporais nas proporções entre fontes graníticas e vulcânicas básicas ao longo da coluna estratigráfica. Nos depósitos de leque aluviais, a variação vertical é marcada por aumento da proporção de contribuição granítica, interpretada como resultado de progressiva denudação da cobertura vulcânica pré-existente e exposição do embasamento plutônico. Nos sistemas aluviais distais, alternam-se trechos com predomínio de cada um desses dois componentes, possivelmente em função de diferentes contribuições entre fontes proximais com aporte transversal ao eixo da bacia (relacionadas aos leques aluviais) e fontes distais relacionadas a transporte paralelo ao eixo da bacia. A presença de fragmentos derivados de rochas vulcânicas básicas ou intermediárias revela que houve atividade vulcânica antes da deposição da Formação Cerro da Angélica. Essa interpretação favorece o modelo de rift ativo para a evolução da Bacia Camaquã, pois a fase de maior distensão (representada pelo Grupo Bom Jardim) inicia-se com atividade vulcânica. A análise de proveniência realizada nas sucessões de leques aluviais sugere que não houve movimentação lateral entre a fonte e esses depósitos, confirmando as considerações sobre o caráter normal das falhas ativas durante a deposição do Grupo Bom Jardim.

Palavras-chave


Proveniência; Período Ediacarano; Grupo Bom Jardim; Bacia Camaquã.

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.