RECONSTITUIÇÃO PALEOAMBIENTAL DE DEPÓSITOS ALBIANOS NA BORDA LESTE DA BACIA DE GRAJAÚ, MA

MARIA CAROLINA DA CRUZ MIRANDA, DILCE DE FÁTIMA ROSSETTI

Resumo


Depósitos albianos expostos nas margens do Rio Itapecuru, borda leste da Bacia de Grajaú, apresentam quatro associações faciológicas típicas de ambientes deltaicos. Depósitos de frente deltaica consistem em arenitos com geometria lobada, sendo internamente maciços, deformados ou contendo estratificações  cruzadas, e organizados em padrão de espessamento e granocrescência ascendentes. Depósitos de frente deltaica retrabalhada por onda consistem em camadas tabulares de arenito contendo estratificações cruzadas swaley, laminação ondulante, estratificação cruzada tabular de baixo ângulo, além de estruturas de corte e preenchimento (scour-and-fill) de grande escala. Depósitos de barras distais são caracterizados por arenitos similares aos depósitos de frente deltaica retrabalhada por onda, porém ocorrendo sob forma de corpos isolados, relativamente mais delgados e distribuídos em meio a argilitos laminados ou maciços. Depósitos representativos de ambientes deposicionais de baixa energia, que possivelmente registram prodelta, plataforma restrita e planície de lama, incluem argilitos laminados e maciços,  além de calcários,  com feições de exposição subaérea, incluindo-se marcas de raízes, gretas de construção, dissolução por ação de água meteórica, bem como pegadas de dinossauros. A arquitetura das associações de fácies revelou a presença de três unidades estratigráficas definidas por superfícies de descontinuidade, marcadas por cimentação carbonática, concentrações de fósseis retrabalhados, e depósitos residuais consistindo em arenitos grossos e conglomerados. A distribuição espacial dessas unidades, bem como de suas associações faciológicas, mostram que os depósitos finos representativos de ambientes de prodelta, plataforma restrita e planície de lama, tornam-se progressivamente mais abundantes de sudeste para noroeste da área de estudo, bem como em direção ao topo das sucessões, mostrando progressivo afogamento do sistema deltaico. Inundações pontuadas, registradas por superfícies de descontinuidade, resultaram em padrão estratal dominantemente retrogradacional, o que sugere que o sistema deltaico em questão pode ter sido gradativamente abandonado em função de fase transgressiva.


Palavras-chave


Paleoambientes; Albiano; Análise faciológica; Sistema deltáico; Tempestades; Bacia de Grajaú.

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