ANÁLISE ESTRATIGRÁFICA DO GRUPO SANTA BÁRBARA (EDIACARANO) NA SUB-BACIA CAMAQUÃ ORIENTAL, RS

GELSON LUÍS FAMBRINI, ANTONIO ROMALINO FRAGOSO-CESAR

Resumo


O Grupo Santa Bárbara (Ediacarano) apresenta cerca de 6000 m de espessura na Sub- Bacia Camaquã Oriental. O grupo é representado por sucessões de arenitos e ritmitos marinhos a costeiros, e de conglomerados e arenitos aluviais, dispostos em ciclos progradacionais e retrogradacionais. Estudos estratigráficos de fácies, paleoambientes e sistemas deposicionais conduziram à subdivisão do Grupo Santa Barbara na Sub-Bacia Camaquã Oriental em duas unidades: (i) Formação Passo da Capela, unidade formada por turbiditos de leques subaquosos e (ii) Formação Rincão dos Mouras, unidade constituída por arenitos e conglomerados de leques aluviais e sistemas fluviais entrelaçados. A Formação Passo da Capela apresenta a maior espessura já verificada dentro do Grupo Santa Bárbara, alcançando cerca de 4000 m na Sub-Bacia Camaquã Oriental. A principal associação litofaciológica compreende conglomerados e arenitos grossos depositados por fluxos gravitacionais de massa subaquosos e arenitos e ritmitos gerados por correntes de turbidez, representativos de ambiente de leques subaquoso. Estes depósitos de leques intercalam-se com arenitos e ritmitos de ambiente marinho (indicado por minerais de glauconita), dominado por ondas de tempestades. A Formação Passo da Capela apresenta, ainda, intercalações de dois níveis de sismitos indicativos de atividade tectônica sin-sedimentar. A Formação Rincão dos Mouras (até 2000 m), comum a todas as sub-bacias, constitui-se de conglomerados e arenitos conglomeráticos depositados principalmente por sistemas de leques aluviais proximais a distais dominados por processos de enchentes em lençol que passam para depósitos fluviais de rios entrelaçados de alta energia. As análises de proveniência e paleocorrentes indicam que os altos de Caçapava do Sul e da Serra das Encantadas serviram como área fonte para esses depósitos aluviais, sugerindo o soerguimento destes altos durante a evolução do preenchimento sedimentar desta unidade. Desta forma, a Formação Rincão dos Mouras marca a compartimentação tectônica da Bacia do Camaquã em sub-bacias através do soerguimento de altos internos. Foram reconhecidas três sequências deposicionais na Sub-Bacia Camaquã Oriental. A Sequência 1 compõe-se principalmente de turbiditos arenosos indicativos de trato transgressivo (nível de mar alto). A Sequência 2  é constituída por sistemas de leques subaquosos representativos do trato de mar baixo, que são sobrepostos por uma sucessão marinha com depósitos de águas rasas- tratos transgressivo e de mar alto. A Sequência 3 marca a reorganização tectônica da Bacia do Camaquã que passou a ser individualizada em sub-bacias separada pelo alto de embasamento da Serra das Encantadas na Sub-Bacia Camaquã Oriental. O soerguimento de altos internos propiciou a instalação de sistemas de leques aluviais e de planícies fluviais que caracterizam as sucessões basais desta sequência. A integração dos dados obtidos aponta que o Grupo Santa Bárbara e, por extensão todo o Supergrupo Camaquã, depositou-se em uma bacia extensional tipo rifte, com falhas de borda de rejeito normal ou oblíquo, sem grandes rejeitos direcionais, cujo preenchimento sedimentar foi controlado, sobretudo, pelos seguintes fatores: subsidência tectônica, aporte sedimentar e padrões de transporte sedimentar - sob influência das variações relativas do nível do mar.


Palavras-chave


Sub-Bacia Camaquã Oriental; Grupo Santa Bárbara; Ediacarano; Análise de fácies; Proveniência; Paleocorrentes.

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